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Conservar Património,
n.º 9 , 2009,
pp. 13-25

 

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Cor e esgrafito no Alentejo

Sofia Salema
CHAIA-UE (Centro de História de Arte e Investigação Artística, Universidade de Évora), Portugal, bolseira de doutoramento da FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia)
ss.sspg@gmail.com

José Aguiar
FA-UTL (Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa), Portugal
jaguiar@fa.utl.pt

Resumo

Este artigo pretende sensibilizar todos os intervenientes e o público em geral para o valor e para a situação de risco deste património, enfatizando a necessidade de salvaguardar a sua autenticidade material. Um dos resultados que mais se destacou durante a pesquisa por nós desenvolvida sobre os esgrafitos no Alentejo foi o facto de que a maioria dos esgrafitos inventariados terem sido sujeitos a tantas acções de pintura que, hoje, já não é perceptível o seu aspecto, os seus cromatismos e/ou as suas texturas originais. Sendo o esgrafito uma técnica decorativa com reboco à vista, há valores da matéria que não podem ser descurados, tais como a textura ou a cor das argamassas, pois são intrínsecos à natureza deste revestimento mural. Mesmo quando a actual cultura da conservação e restauro assume como condição sine qua non a conservação da matéria enquanto testemunho cultural, verifica-se frequentemente que, no caso do esgrafito, a intervenção é feita utilizando critérios da construção civil e não de conservação. Infelizmente, continua-se a constatar um desconhecimento sobre como intervir nos esgrafitos, resultando em intervenções ditas de “conservação” ou “recuperação” inadequadas, como, por exemplo, a aplicação de camadas de pintura sobre estas decorações, causando perda dos testemunhos e valores dos edifícios históricos. Numa primeira fase do artigo, descreve-se o conceito e a técnica de execução do esgrafito, e apresenta-se o panorama dos esgrafitos em monumentos religiosos no Alentejo, ilustrando com casos em que a cor, a textura e a superfície dos esgrafito não foi alterada. Posteriormente, procura-se sensibilizar o público expondo alguns dos inúmeros casos onde a técnica do esgrafito foi subvertida. Por fim sistematiza-se um conjunto de recomendações que poderão ajudar na qualificação das intervenções sobre os esgrafitos.

Palavras-chave

Conservação; Esgrafito; Restauro; Superfícies arquitectónicas.

Idioma

Português

Material adicional

Figuras (3.74 MB)

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