| Conservar Património |
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Conservar Património,
n.º 3-4 , 2006,
pp. 53-71

 

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«Renovar», «repintar», «retocar»: estratégias do pintor-restaurador em Portugal, do século XVI ao XIX. Razões ideológicas do iconoclasma destruidor e da iconofilia conservadora, ou o conceito de «restauro utilitarista» versus «restauro científico»

Vítor Serrão
Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Resumo

Historia-se, no caso da arte portuguesa, a actividade, muito corrente durante a Idade Moderna, do «restauro de pintura», concluindo-se que tal prática, que ao tempo era referenciada como «retoque», «repintura», «renovação» e, mesmo, «restauro», e que aqui designamos por «restauro correctivo e utilitarista», foi comum aos melhores artistas dos séculos XVI a XVIII, para quem intervenções desse tipo, a mando da nobreza e da Igreja, eram quase sempre uma actividade nobilitante. Explicam-se técnicas utilizadas e terminologias em uso, e as várias razões (morais, teológicas, estéticas, decorosas, e outras) para esse tipo de trabalho, que se assume como o precursor do «restauro científico» novecentista. Discutem-se critérios de «renovação», práticas de iconoclastia destruidora e também de iconofilia conservadora ligadas ao «restauro utilitarista», e revela-se que nomes grados como Francisco Venegas, Diogo Teixeira, André Reinoso, António Pereira Ravasco, Francisco Vieira Lusitano e outros, foram afinal, também, «pintores-restauradores» dentro dos conceitos vigentes. Lembramos, enfim, que o ser-se pintor-restaurador foi (para Pietro Guarienti, Vieira Lusitano, Bernardo Pereira Pegado ou Inácio Coelho Valente, por exemplo) motivo acrescido de orgulho, sempre numa perspectiva de «re-criação» artística.

Palavras-chave

Pintura; repinte; retoque; renovação; restauro utilitarista; restauro correctivo; restauro científico.

Idioma

Português

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